Comentários sobre o livro "Lições de Arquitetura" - Herman Hertzberger, que foi discutido na Sintegração presencial que não participei. Os comentários são sobre os capítulos indicados na divisão dos grupos e rodadas.
[GRUPO 01] (A) Público e privado; Demarcações Territoriais; Diferenciação Territorial; Zoneamento Territorial; De usuário a morador
Os conceitos de público e privado podem ser vistos em termos relativos, que se referem a uma gradação no direito de acesso. A transição entre o público e o privado ocorre por meio da inclusão gradativa de demarcações territoriais que formam barreiras e limitações no acesso aos espaços. Muitas vezes as barreiras não são nem físicas, e sim uma questão de convenção que é respeitada por todos.
Os lugares podem ser mais ou menos privados, considerando sempre uma perspectiva relativa: o quarto de uma casa, por exemplo, é um espaço mais privado do que a sala de estar ou a cozinha. O hall de uma estação ferroviária é mais público do que a área de embarque, acessível somente para quem possui passagens.
O projeto arquitetônico deve ser capaz de indicar aos usuários estas gradações de acesso público e a demarcação de áreas específicas, com uma escolha adequada de formas, elementos e tipologias. Esta demarcação cria as condições para um maior senso de responsabilidade nos usuários destes espaços privados e semi-privados, levando a uma apropriação do espaço e a um sentimento de “ninho seguro”.
[GRUPO 07] (C) 13 - Visão 1
O ambiente construído não deve impor o contato social, mas também não deve impor a ausência deste contato. Devem ser criadas as condições para uma variedade de contatos, e para a possibilidade de escolha do indivíduo de se relacionar ou não, e o quanto se relacionar, com aqueles que estão à sua volta.
A existência ou não deste contato social passa muito pela visão, por ser possível ou não ver os outros e o exterior, e vice versa (ser visto ou não pelos outros ou pelo exterior). As aberturas do ambiente construído são, portanto, tão importantes quanto as paredes que delimitam os espaços, e este jogo de aberturas e fechamentos acaba por influenciar e intensificar ou restringir as relações sociais que ocorrem ou deixam de ocorrer naquele ambiente.
O livro cita o exemplo da disposição de varandas não totalmente sobrepostas verticalmente, que acabam criando tanto uma parte mais isolada dos vizinhos quanto outra mais exposta onde se pode ver os outros e também ser visto.
[GRUPO 12] (C) Equivalência
O conceito da equivalência está ligado à igualdade do ordenamento arquitetônico, no sentido em que cada um dos elementos individuais do projeto é igualmente relevante para a construção do conjunto. A forma não deve forçar todos os elementos a se adequarem a ela, como se esta fosse uma dimensão superior ou mais importante, e estes elementos individuais devem ser apropriados para o papel específico que desempenham dentro do todo.
Outra dimensão em que é pensado o conceito de equivalência está relacionado às hierarquias dos elementos, ou seja, evitar que a disposição dos espaços reforce ou acentue uma diferença hierárquica pré existente. Em vez disso, as condições espaciais devem estar igualmente distribuídas. Esta ideia se concretiza em espaços mais homogêneos e livres, sem um elemento central ou uma fachada que se torne dominante e centralizador.
Como conclui o autor, a arquitetura deve ser generosa e convidativa para todos, sem distinção. E quanto mais um espaço é capaz de acomodar diferentes possibilidades, sem muitas imposições e limitações, mais este propósito estará sendo cumprido.
[GRUPO 16] (A) O espaço público como ambiente construído
Até o século XIX existiam poucos espaços públicos, e mesmo edifícios como igrejas, templos, bazares, teatros e universidades sofriam algum grau de restrição de acesso imposto pelos seus proprietários. Somente com a revolução industrial, com todas as suas mudanças na sociedade, nas cidades, nos meios de produção e nos mercados, houve tanto uma maior necessidade quanto uma maior produção de edifícios realmente públicos.
A industrialização e a massificação da produção da sociedade e os avanços da tecnologia (inclusive na tecnologia e nos materiais das construções) levaram à criação das redes de transportes, fundamentais para a circulação de pessoas (trabalhadores) e mercadorias, e de estruturas ligadas à comercialização da produção, como mercados cobertos, lojas de departamentos e salões de exposições.
Os novos métodos de construção, com uso de aço e vidros, mudaram expressivamente as características e o aspecto visual dos edifícios, e passaram a ser possíveis estruturas leves, com grandes vãos e muita iluminação natural. Muitas vezes estas construções procuravam exprimir o primor técnico e a maneira de pensar capitalista, de centralização e grandiosidade, mais até do que explorar as possibilidades funcionais abertas pelos novos métodos construtivos.




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